Com 60,42% dos votos em nossa última enquete, os membros desta Comunidade decidiram trocar experiências sobre o planejamento de aulas bem-sucedidas. De fato, elaborar planos de aula é um grande desafio que faz parte da vida do professor, tanto de PLE, quanto de qualquer outra área de ensino. Participem! 

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Segundo Graham Butt, autor do livro O Planejamento de Aulas Bem-Sucedidas (SBS, 2009), existem quatro componentes do planejamento de aulas:

1. Propósito da aula

2. Substância da aula

3. Os métodos da aula

4. A avaliação da aula

Dentro dessas componentes, podemos definir diversas estratégias relativas a todos os aspectos do ensino. Qual tem sido a experiência dos membros dessa comunidade quanto ao planejamento de aulas? Existe algum método que funcionou para você? O processo de planejamento é o mesmo para todos os tipos de aula?

Quanto ao primeiro item este é um subitem de um programa que seria o objetivo geral, para atingir este objetivo será preciso um roteiro que se constituirão nas aulas a serem ministradas distribuídas em "x"tempo. Aí começa o longo processo , pois cada aula estará vinculada a uma parte que somadas atingirá o objetivo geral. A substância poderia ser tarduzida pelo conteúdo - o que será trabalhado em sala de aula. Os métodos , eu discordo da palavra, diria estratégias para que o conteúdo possa ser desenvolvido inclusive com uma quantificação de um tempo possível, depois viriam as atividades de sustentação das estratégias e os recursos tecnológicos que permitirão com que a elas ganhem um ritmo, ou seja, para que  o aluno não fique cinquenta ou sessenta minutos fazendo a mesma coisa! Finalmente é a avaliação das atividades aplicadas e paralelamente, uma avaliação do professor sobre a aula minsitrada. São dois instrumentos diferentes. Um relacionado a cada atividade aplicada, e o outro à análise do que o professor previu, foi capaz de aplicar e um balanço do sucesso e do fracasso vivenciado na aula planejada. Acredito que um professor que tenha condição técnica de preparação da aula,com uma prática reflexiva sustentada na análise da sua aula, só terá a ganhar. Infelizmente, muitas escolas não oferecem este "tempo", e mesmo espaços de diálogos entre os pares. Quantas vez fui testemunha de o professor de inglês abrir o livro na sala de aula, dar uma "olhadinha" no conteúdo e achar que estava "dando" uma ótima aula. O aluno atual sabe exatamente quando o professor prepara a aula ou é um bom improvisador. Em algumas escolas de idiomas, há a avaliação do professor pós-aula pela classe, não para "puni-lo",mas  para alertá-lo sobre a sua performance.Quem sabe esta prática se consolide em todos os âmbitos educacionais purificando a discutível qualidade de nossos professores.

Acho muito importante ter em consideração para uma aula bem-sucedida os seguintes itens:

1) Objetivos: Ao final desta tarefa o aluno será capaz do que? / Quais competências foram focalizadas na aula?

2) Dados (recursos): Que tipo de informação estava disponível ao aluno para realizar a tarefa/atividade? (era apropriada?) / Senão que tipo de informação poderia ser adicionada? / Isso afetou o andamento da atividade? (positivo ou negativo) / arrumação de grupos, pares, papel do aluno-professor.

3) Atividades / Procedimentos: O que os alunos devem fazer para completar a atividade/ tarefa? Como você deve participar nesta tarefa?/ Que tipo de interação a tarefa/atividade irá gerar? (AL-AL, AL-PROF,AL-PROF-AL) / Como será feita a verificação dos objetivos (IMPORTANTE)

4) Papel: Como os alunos irão trabalhar? (grupos, pares) / Como as informações trazidas pelo aluno poderão ser integradas a tarefa?

5) Lugar: Sala de aula/ Salão de vídeos / Áudio / Outros

6) Avaliação: Como será avaliada a tarefa? 

Caro Mario, permita-me palpitar no coemntário postado. Esta abordagem de" o aluno será capaz de" , está em desuso, é advinda de uma pedagogia estruturalista. O aluno sempre tem uma potencialidade a ser desenvolvida, leia Vygostsky, por exemplo. A zona de desenvolvimento proximal explica bem esta perspectiva de aprendizagem.Nesta zona, incide a ação pedagógica propiciada pelo professor com as aulas bem planejadas.

Um outro equívoco, que os anos de prática de ensino me mostraram, foi que para se atingir um objetivo , às vezes, são necessárias várias aulas. Alguns alunos -estagiários elaboram um objetivo diferente para cada aula, nem sempre é possíve ter um objetivo diferente, pelo contrário, serão várias aulas para se atingir um único objetivo.

Compreendo atividades e procedimentos como dois campos distintos. Atividades respondem à pergunta o quê? O que será trabalhado com o(s) aluno(s). Já procedimento responde à pergunta como? Como será desenvolvida cada atividade sem perder de vista o objetivo.Aqui se enquadra (AL-Al- em pares, em grupo, individualmente, professor-alunos etc)

Desconheço o item 4 "papel", pois para mim faz parte do procedimento ( do como).

 

A parte mais nevrálgica , sem dúvida nenhuma, é a avaliação, que deverá integrar o objetivo+ as atividades+ procedimentos dando o feedback da aula preparada. 

 

Uma aula bem sucedida é uma aula preparada em seus mínimos detalhes, eu sempre aconselhei aos meus alunos de terem sempre um plano B. Por exemplo, você planeja uma aula co uso de vídeo, e quando chega na escola, o vídeo pifou! Que alegria, o que você faz? Dispensa a classe? Então eu sempre aconselhei ter um plano B, de pronto-socorro em caso da aula não se concretizar, especialmente, nos casos de uso dos suportes tecnológicos nem sempre confiáveis.

Olà Elisabete Montero, tudo bem?

em relação às respostas que você deu ao Mario Celes, gostaria de me deter numa apenas: sobre a abordagem de "o aluno serà capaz de". Você afirma que està em desuso. Surprende-me, pois.

Trabalho com estudantes na ESA-França e adotamos o QECRL (2001), onde o desenvolvimento de tarefas a cumprir é relevante. O aprendente deve ser capaz de (sem aspas) é o que vem sempre como processo e meio de avaliação dos conhecimentos recebidos/aplicados no ensino/aprendizagem do PLE.

Assim as tarefas executadas pelos alunos sobretudo quando simulamos que estão fora da sala de aula nos servem como um meio interessante de avalia-los e de avaliarmo-nos.

 

Rosiane

 

 

 

Rosiane,

 

É tudo uma questão de nomeclatura, não existem ali grandes discrepâncias entre o que um e outro diz, é só mesmo uma questão de preciosismo sobre que autor ou teoria metodológica seguem, mas quer tudo dizer a mesma coisa.

"O que o aluno deverá ser capaz de fazer" (um conceito dos anos 60), "qual será o nível de desenvolvimento potencial" (um conceito com quase 100 anos), "que competências linguísticas deverão ser adquiridas" (um conceito dos anos 80), "que tarefas o aprendente deverá poder realizar" (um conceito dos anos 90), é tudo a mesma coisa, quer tudo dizer onde é que o estudante estava e onde é que queremos que ele esteja depois da aula em termos de competências linguísticas, ou seja, vamos fazer o aluno passar por uma série de exercícios para quê? As diferenças na nomeclatura vêm dos diferentes autores que em diferentes estádios do desenvolvimento das metodologias e abordagens de aquisição se segunda língua quiseram imprimir na narrativa teórica o seu cunho pessoal.

 

quando aos itens do Butt (não consigo para de rir, Butt quer dizer rabo e seus sinónimos em português) é óbvio que todos eles são subitens de uma estratégia geral que tem que ser decidida de acordo com o total de aulas disponíveis para um determinado aluno ou grupo, e é também óbvio que o objetivo da aula pode estar dividido em várias sessões.

 

Abraços,

 

Luis

 


Rosiane Xypas disse:

Olà Elisabete Montero, tudo bem?

em relação às respostas que você deu ao Mario Celes, gostaria de me deter numa apenas: sobre a abordagem de "o aluno serà capaz de". Você afirma que està em desuso. Surprende-me, pois.

Trabalho com estudantes na ESA-França e adotamos o QECRL (2001), onde o desenvolvimento de tarefas a cumprir é relevante. O aprendente deve ser capaz de (sem aspas) é o que vem sempre como processo e meio de avaliação dos conhecimentos recebidos/aplicados no ensino/aprendizagem do PLE.

Assim as tarefas executadas pelos alunos sobretudo quando simulamos que estão fora da sala de aula nos servem como um meio interessante de avalia-los e de avaliarmo-nos.

 

Rosiane

 

 

 

Olà  Luis,

 

A palavra Butt eu não conhecia, e além do mais sendo nome de familia...

Em francês but (com um T apenas) pode ser gol ou no caso do dominio de ensino/aprendizagem de lingua, OBJETIVO.

Bom, gostei de sua explicação.

Abraços,

 

Rosiane

"não consigo parar de rir, Butt quer dizer rabo e seus sinónimos em português" Eu queria dizer em inglês! But quer dizer em inglês "mas" ehehehehehe

Ola de novo,

 

estamos em linha. Você mora onde? No Brasil? Você se levanta cedo demais ou ainda não dormiu graças ao carnaval?

Enfim, pensei na palavra em inglês masmo, mas como você deve saber os franceses tem em seus sobrenomes palavras de significado as vezes mesmo jocoso que aqui é de praxe ignorar o que nos soa à beira do ridiculo ou do que é super engraçado. Sim butt é engraçado! Se a gente for para o alemão hein, aih é que é engraçado mesmo!!!!!

 

Rosiane

 

 

Moro nos EUA, e deveria estar a dormir eheheheh são 2:55 da manhã.

Luis, você mora onde nos EUA?

Você ira a Washigton para o IV Simposio de PLE. Recebi a carta de aceite e não pude ir por causa de vazamentos e gastos muitos gastos na reparação daqueles vazamentos em minha casa. Fiquei e estou ainda triste pra caramba!

Na Georgetown university Iria falar sobre a acquisição da expressão oral em franceses que aprendem português sem base em espanhol e de franceses que aprendem o português com base em espanhol.

Vai realmente ficar para a proxima oportunidade.

Jà visitou Paris? Quando quiser vir me avise para nos conhecermos pessoalmente.

Abraços,

 

Rosiane

Caro Luuís,  anos atrás eu talvez acreditasse que "ser capaz de", "ter competência para", "estar apto para", fossem apenas variações linguísticas sobre o mesmo aspecto pedagógico. Mas estudando as teorias de aquisição de língua , não posso compartilhar deste aspecto. Há convicções sobre como ocorre a aprendizagem do sujeito que não se limitam a uma terminologia. Lembro-me de uma professora Doutora da PUC-SP que me perguntou no primeiro dia de aula do Mestrado:" como a pessoa aprende uma língua?" Esta pergunta foi capital para descobrir as teorias que embasam as metodologias de ensino de  uma língua. E não posso dizer que sejam todas iguais que seja apenas "preciosismo", há talvez um trânsito de ideias entre as mesmas, porém o entendimento sobre a ação do professor, do aluno ser o sujeito da sua aprendizagem, das competências  não podem ser "rotuladas" por serem apenas preciosismo linguístico. Isto sem contar com a psicologia cognitiva que também traz um suporte bastante interessante ao processo de aquisição de língua.Outro aspecto pontuado muito bem por você é como o uso das palavras está relacionado a uma concepção pedagógica. A terminologia no plano de ensino  revela discursivamente qual a linha pedagógica que o professor usa para dar sustentação à sua prática em sala de aula, aqui caberá ao professor fazer a sua escolha, infelizmente nem sempre os professores possuem formação pedagógica, ancorando o seu fazer pedagógico no domínio do conteúdo.

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