Como projetar a Língua Portuguesa como um idioma importante em todo o mundo.

Vamos passar para frente um pouco das nossas ideias e experiências.

Mandem suas sugestões e atividades sobre "como projetar a Língua Portuguesa como um idioma importante em todo o mundo". Participem.

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Humberto, com esse exemplo você perfeitamente ilustra o que me parece uma falta de plano e a simples cópia de modelos defuntos no PLE, na minha opinião. A Aliança Francesa é o perfeito exemplo; existe há dezenas de anos, está estabelecida em todo o mundo, tem programas culturais ambiciosos, custa uma pipa de massa... e no entanto, o ensino do francês está em pura queda livre, para não dizer que o francês é cada vez mais uma língua irrelevante. Para quê seguir modelos destes que claramente foram um grande e caro furo? Porque haveríamos de aplicar estratégias do século XIX ao mundo virtualmente conetado que vivemos? Será possível que entre todos os países de língua portuguesa não exista uma ideia para o século XXI, para o estudante moderno que estuda num mundo globalizado?

Pelo que vou lendo, parece-me que o grande problema da nossa área é que o pessoal das Humanidades não sabe seguir um simples modelo de gestão e negócio. Neste momento temos uma coisa que é muito rara nas Humanidades: um cliente disposto a pagar por um serviço. O que temos que nos perguntar é: o que é que este precisa, quanto está disposto a investir e como podemos melhorar o nosso produto para dar resposta a este mercado?

Precisamos de investigação em metodologias de línguas estrangeiras e aquisição de segunda língua, baseada em mérito e não em compadrio; precisamos que essas pesquisas sejam publicadas, para os instrutores terem acesso; e precisamos de um programa de tradução dessas pesquisas para espanhol, inglês, chinês, russo, suaili e árabe. Precisamos dessas pesquisas transformadas em cursos de formação para professores e em ferramentas pedagógicas eficazes, para termos aulas de qualidade; e necessitamos de programas de intercâmbio de qualidade, que tenha em atenção os calendários escolares dos outros países. (Tudo isto é depois campo para mais pesquisas, desde análise do discurso, a questões de sociolinguística, a aplicação das novas tecnologias ao ensino, modelos de avaliação, modelos de feedback, modelos de aulas, modelos de atividades, tipos de abordagens, interculturalidade etc.) Se tivermos este sistema montado, não só as pessoas que têm interesse vêm para as nossas aulas, como depois levam as nossas aulas a outras pessoas que nunca tinham ouvido falar de nós, e enquanto a atividade económica continuar a justificar este interesse pelo português, este sistema só vai melhorando, as pesquisas ficam mais específicas, as aulas ficam mais eficazes, os alunos ficam mais felizes com os resultados e isso traz mais estudantes para os cursos e os intercâmbios etc.

Quando os meus alunos entram nas minhas aulas nunca ouviram falar da CPLP, IILP, IC, IMA, MEC, CNE, nada, no máximo ouviram falar da Fulbright porque eles sim têm uma ação consistente e específica que toda a gente reconhece e que se encaixa num sistema estabelecido, testado e melhorado ao longo dos anos.

Caro Humberto,

Obrigada por sua sugestão. O escopo da SBS é publicar e distribuir conteúdo nos mais diversos idiomas. Uma iniciativa como a da Aliança Francesa, do Instituto Camões, do Goethe Institut etc deve ter o apoio do País que representa. Temos o Instituto Machado de Assis no papel... Quem sabe um dia ele se torne realidade 'física'?

Abraços,

Susanna

Humberto Cosentine disse:

Creio que o melhor caminho seja estabelecer vários e pequenos centros de cultura brasileira (música, dança, literatura, etc.) com ensino do português brasileiro, aproveitando o destaque do Brasil nesse momento histórico. Algo como a Aliança Francesa.

Com ou sem apoio governamental, porque,  convenhamos, as coisas lá "em cima" parecem estar do avesso.

Aproveitando o ensejo, isso não poderia interessar à SBS? 

Abraço a todos.

Obrigado Erô, é bom saber que esses trabalhos fizeram parte do colóquio. Gostaria de os ter ouvido e de ter apresentado, mas infelizmente, nunca vi uma chamada de trabalhos e quando soube que o colóquio ia acontecer, já era demasiado tarde.

Bom, temos sempre o II Encontro Mundial de Professores de Português de 3 a 5 de Maioa na Flórida. Esta semana completamos o programa e coloco no website. A Erô vai estar presente e vamos conversar sobre estas e muitas coisas :)

Vocês já fazem muito, e vocês sim, têm uma atividade consistente e reconhecível.

Susanna Florissi, Editora disse:

Caro Humberto,

Obrigada por sua sugestão. O escopo da SBS é publicar e distribuir conteúdo nos mais diversos idiomas. Uma iniciativa como a da Aliança Francesa, do Instituto Camões, do Goethe Institut etc deve ter o apoio do País que representa. Temos o Instituto Machado de Assis no papel... Quem sabe um dia ele se torne realidade 'física'?

Abraços,

Susanna

Humberto Cosentine disse:

Creio que o melhor caminho seja estabelecer vários e pequenos centros de cultura brasileira (música, dança, literatura, etc.) com ensino do português brasileiro, aproveitando o destaque do Brasil nesse momento histórico. Algo como a Aliança Francesa.

Com ou sem apoio governamental, porque,  convenhamos, as coisas lá "em cima" parecem estar do avesso.

Aproveitando o ensejo, isso não poderia interessar à SBS? 

Abraço a todos.

Caro Humberto,

Estudei e trabalhei por quase 20 anos na Aliança Francesa e é uma instituição que recebe apoio financeiro do Governo Francês através dos Ministérios de Relações Exteriores e da Educação. Na maioria dos casos, a escolha dos diretores passa pelo crivo de um desses dois minitérios que fará o pagamento dos mesmos nos países onde forem trabalhar.

A direção pedagógica das grandes filiais também conta com o mesmo sistema.Além disto as filiaisque são próprias , ou seja , sem pagamento de aluguel, a aquisção foi contou em alguns casos com aporte financeiro da Aliança Francesa e parte dos ministérios.

Ou seja , se as Alianças existem em vários países , muito da sua existência é subsidiada. Há filiais que hoje contam com diretores franceses contratados no local, ou mesmo brasileiros, nestes casos é a própria filial que banca os salários. A filial precisa dar lucro para pagar os seus funcionários, em alguns casos , há atividades paralelas, como curso de cinema, ioga, chá e literatura etc.

Quanto aos espetáculos patrocinados pela Aliança Francesa é mais ou menos compulsório, pois há o vínculo dos ministérios, então não há como recusar a apresentação de um espetáculo de dança, ou mesmo peças clássicas do teatro francês entre outros.

Exponho estes detalhes de bastidor para mostrar com há uma cadeia de ações articuladas que contam com investimento do Estado em prol da divulgação da língua e cultura francesas.

A Aliança Francesa de Santos tem hoje mais de 60 anos, só para você ter uma ideia do vanguardismo europeu.

Abraço.



Humberto Cosentine disse:

Creio que o melhor caminho seja estabelecer vários e pequenos centros de cultura brasileira (música, dança, literatura, etc.) com ensino do português brasileiro, aproveitando o destaque do Brasil nesse momento histórico. Algo como a Aliança Francesa.

Com ou sem apoio governamental, porque,  convenhamos, as coisas lá "em cima" parecem estar do avesso.

Aproveitando o ensejo, isso não poderia interessar à SBS? 

Abraço a todos.

Desculpe a demora, Elisabete.  Pois é isso mesmo que eu gostaria de ver acontecer, um sistema que difundisse a cultura brasileira e o ensino de português brasileiro no mundo inteiro, apoiado pelo governo, por grandes empresas e que também conseguisse seu próprio retorno financeiro.  Acho que estamos no momento certo para empreender algo assim, o mundo inteiro está voltado para o Brasil, inclusive por interesse econômico.  Não há o que esperar e acho sim que vocês podem ser uma força importante nessa concretização.  Abraço. 

Elisabete Montero disse:

Caro Humberto,

Estudei e trabalhei por quase 20 anos na Aliança Francesa e é uma instituição que recebe apoio financeiro do Governo Francês através dos Ministérios de Relações Exteriores e da Educação. Na maioria dos casos, a escolha dos diretores passa pelo crivo de um desses dois minitérios que fará o pagamento dos mesmos nos países onde forem trabalhar.

A direção pedagógica das grandes filiais também conta com o mesmo sistema.Além disto as filiaisque são próprias , ou seja , sem pagamento de aluguel, a aquisção foi contou em alguns casos com aporte financeiro da Aliança Francesa e parte dos ministérios.

Ou seja , se as Alianças existem em vários países , muito da sua existência é subsidiada. Há filiais que hoje contam com diretores franceses contratados no local, ou mesmo brasileiros, nestes casos é a própria filial que banca os salários. A filial precisa dar lucro para pagar os seus funcionários, em alguns casos , há atividades paralelas, como curso de cinema, ioga, chá e literatura etc.

Quanto aos espetáculos patrocinados pela Aliança Francesa é mais ou menos compulsório, pois há o vínculo dos ministérios, então não há como recusar a apresentação de um espetáculo de dança, ou mesmo peças clássicas do teatro francês entre outros.

Exponho estes detalhes de bastidor para mostrar com há uma cadeia de ações articuladas que contam com investimento do Estado em prol da divulgação da língua e cultura francesas.

A Aliança Francesa de Santos tem hoje mais de 60 anos, só para você ter uma ideia do vanguardismo europeu.

Abraço.



Humberto Cosentine disse:

Creio que o melhor caminho seja estabelecer vários e pequenos centros de cultura brasileira (música, dança, literatura, etc.) com ensino do português brasileiro, aproveitando o destaque do Brasil nesse momento histórico. Algo como a Aliança Francesa.

Com ou sem apoio governamental, porque,  convenhamos, as coisas lá "em cima" parecem estar do avesso.

Aproveitando o ensejo, isso não poderia interessar à SBS? 

Abraço a todos.

Humberto,

Temos o mesmo foco, mas a questão é transformar em ação. Empresas podem ser um canal possível, mas precisa haver um projeto consolidado. Assisti a uma reportagem de uma ONG em São Paulo que desenvolve um projeto do ensino da língua portuguesa para imigrantes por meio de ajuda de um cursinho ( que doou as apostilas) e professores voluntários,não me lembro se recebia alguma ajuda de empresa. Eis uma boa oportunidade na busca das parcerias, talvez a própria empresa crie a sala de aula etc, mas tem de haver uma lesgislação que a motive a fazê-lo: isenção de impostos etc.

Outra ideia é berçada na ação dos hackers, nós escolheríamos um candidado e formaríamos um grupo para postar mensagens contínuas na tentativa de  convencer o escolhido a criar projetos na área de PLE.

Sem uma proposta coletiva , ficamos com ações individuais dispersadas, e de algumas nem mesmo temos conhecimento. Penso que o slogan do MEC traduz  com propriedade a minha convicção: "Para a educação melhorar, todos devem participar"

Abraço.

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